terça-feira, 10 de novembro de 2009

Le deuxièmse sexe



Algumas considerações sobre o caso Geisy:

* Há quase um século, mulheres de todo mundo tem lutado pela liberdade do nosso sexo. Muitas sofreram na pele para que a gente andasse do jeito que quisesse. O que mais me indigna nesta história é que jovens (que teoricamente deveriam ser mais cabeça aberta), ainda por cima estudantes, e ainda por cima universitários tenham hostilizado a menina deste jeito. Os meninos gostam de olhar, as meninas gostam de usar. Por que tanta hipocrisia?

* Tirando a condição intelectual do contexto eu pergunto: se fosse numa universidade mais, vamos assim dizer, chic, e a menina fosse rica, teria sido ela hostilizada? Ou isso só aconteceu por que ela era pobre?

* Se a atitude dos alunos é absurda, o que dizer de uma universidade que tem em seu quadro de docentes professores como Edson Teles, que junto com sua família, condenou o coronel Ustra como torturador?

* Falando em professores, o que os professores desta intituição estão fazendo a respeito?

* Por que a imprensa não conta para a sociedade que Universidade é esta, quando, como e por quem ela foi fundada, qual seu desempenho de qualidade de ensino, quantos alunos aprova na OAB e por ai vai.?

* E por que nós, mulheres, não colocamos todas um vestido curto e vamos à Paulista defender um direito que É NOSSO?

Sabrina Sato, estou contigo e não abro.

Laje 3

Mais Delírios Fotográficos Insanos de uma repórter em pauta sem pauta- e sem juízo.





Laje 2

As fotos da laje




Espada de São Jorge, para quebrar o olho gordo e proteger o nosso querido banco. Saravá Ogum! Dá para acreditar que isso tudo está na Paulista com a Augusta?



Além da churrasqueira, tem geladeira também. Pena que a única coisa que tinha dentro era esta garrafa d' água vazia e um vidro de azeite velho, também vazio.




Churrasqueira? Bom saber, da próxima vez eu trago a carne, o pessoal do Estadão traz a cerveja, da Folha o carvão e por ai vai. Churrasco na laje, uhu! Jornalista é a maneira mais glamourosa de ser pobre mesmo.




A prova de que nós estivemos lá.







Já dizia a minha mãe: mente vazia é o laboratório do coisa ruim.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Crime e Castigo

Cena 1. Int. Noite. Fim de pauta longaaaaa

IVY segura o elevador esperando a REPÓRTER FOFA para descer. Um funcionário do Banco do Brasil entra no elevador.

FUNCIONÁRIO DO BANCO DO BRASIL: Quem estava ai hoje?

IVY: O Lula, a Dilma e mais um bando de ministros.

FUNCIONÁRIO DO BANCO DO BRASIL (em dúvida): Mas eles estavam aqui, no 19º andar?

REPÓRTER FOFA: Não, eles estavam no terceiro andar.

FUNCIONÁRIO DO BANCO DO BRASIL: Bem que a menina disse que vocês estavam de castigo.

IVY: Quem disse que a gente estava de castigo?

FUNCIONÁRIO DO BANCO DO BRASIL: A menina disse que vocês ficaram lá em cima sem água, café ou comida. É mentira?

IVY (irritada): Não, é verdade.

FUNCIONÁRIO DO BANCO DO BRASIL: Qual o problema então?

IVY: Porque eu sei que jornalista é a maneira mais glamourosa de ser pobre. Voê não deveria saber isso.

Elevador chega no térreo. REPÓRTER FOFA se despede de IVY. Fade out.

Laje 1

Cena 1. Int. Noite. Pauta após a pauta longa.

IVY se encontra com os outros repórteres.

REPÓRTER: Oi Ivy, você tava lá na outra pauta? Rendeu?

IVY: Rendeu, a Dilma falou, mas a gente ficou horas lá, sem fazer nada.

REPÓRTER: O ruim é que lá é tudo fechado, não tem nada para fazer, nem dá para fumar.

IVY: Não, jogaram a gente lá no último andar, tinha uma churrasqueira, uma geladeira com uma garrafa de água vazia, hortelã, rosas, azaléias e espada de são jorge, entre outras plantas.

REPÓRTER: Ah, então deixaram vocês tomando sol na laje? (risos)

IVY: Boa, agora eu sou a garota da laje.

Todos riem. Fade out.

Cena 2. Int. Noite. Repórteres estão sentadas perto de um monte de fontes, todos de terno preto e cabelos brancos.

REPÓRTER: Por que vocês não vem com a gente no chiqueirinho? Querem um velho para chamar de seu?

REPÓRTER DESBOCADA: Quem gosta de velho é o INSS.

REPÓRTER BOAZINHA: Nem o INSS, você quer dizer né?

Todos os repórteres riem.

Fade out.

Etiqueta

Cena 1. Int/Ext. Dia. Pauta longaaaaa

Repórteres esperam Lula e ministros no teto do Banco do Brasil, na Avenida Paulista. Uma repórter decide se sentar numa rodinha, mas não há cadeiras. Todos conversam sobre assuntos aleatórios.

REPÓRTER MENINA: Ai, mas não tem cadeira, peraí que vou pegar.

Todos continuam conversando, apenas um repórter para de falar.

REPÓRTER MENINO (levantando): Não, sente-se na minha cadeira, que eu pego uma para mim.

IVY: Vocês viram isso?

REPÓRTERES: Não.

REPÓRTER MENINA senta e REPÓRTER MENINO volta com sua cadeira e se senta.

IVY: Gente, eu não acredito que vocês não viram isso! Este menino deu lugar para esta menina, um gentleman. Menino, quem é você?

REPÓRTER MENINO: Eu sou o Fernando.

IVY: De onde você é?

FERNANDO: Da Folha.

IVY: Quer dizer que a Folha está ensinado seus repórteres a serem gentlemen?

FERNANDO (rindo): Eu fiz um curso de etiqueta para rapazes. Mas só o módulo 1.

IVY: Quantos anos você tem?

FERNANDO: 27.

IVY: Fala sério, como você aprendeu isso?

FERNANDO: No curso. E ainda faltam os módulos 2, que é onde aprende a puxar a cadeira no restaurante e abrir a porta do carro e o 3, que é onde aprende a por o tapete na poça de água para menina passar.

IVY: Meninos, olhem para este rapaz aqui e aprendam com ele. Isso sim que é repórter.

Cena 2. Int./Ext. Dia. Mesma pauta.

Repórteres de outra mesa chamam IVY para conversar.

REPÓRTERES: Ivy, senta aqui com a gente.

IVY: Peraí que vou pegar uma cadeira.

OUTRO REPÓRTER MENINO: Não, Ivy, senta aqui na minha.

IVY: Como?

OUTRO REPÓRTER MENINO: Aprendi com o menino da Folha.

Todos riem. Fade out.

Conclusão desta pauta longaaaaaaa: Meninos, vocês não precisam trabalhar na Folha para serem gentlemen.

Conclusão dois: Caso vocês estejam curiosas para saber sobre o Fernando, aqui vai: não, eu não perguntei se ele era hetero, nem se era solteiro e nem nada. E sim, ele é bonito- e bem vestido. Dúvidas? Liguem para redação.

The Wall

"Good Girls go to heaven, Bad Girls go to Berlin"

Quando eu vi o Coliseu pela primeira vez, a única coisa que eu conseguia pensar era: "Dai me um Corneto, é mui cremoso, é da Gelatto, siempre um Cornetto". Acho que porque quando eu era criança, pirava nas imagens da Itália que o comercial do sorvete mostrava. Quando eu cheguei ao Muro de Berlin pela primeira vez eu pensei: nossa, o mundo, um dia, foi dois. Que bom que hoje ele é um só!

Hoje, aos 20 anos da queda do Muro, eu lembro da história que meu pai costuma contar quando falamos da Alemanha. Pedro Bial, então correspondente da TV Globo, fez uma matéria em que mostrava uma velhinha que durante mais de 28 anos deveu um livro para biblioteca. Em 89, ela voltou ao local onde anos antes emprestara o periódico dizendo: "Desculpe o atraso, é que construíram um muro aqui no meio e eu não consegui entregar este livro".

Se esta ê a história que guardo do Muro, guardo muitas outras de Berlin. Tirando Genève, não há outra cidade na Europa em que o verão seja tão lindo quanto em Berlin. Depois de ter sofrido um dos invernos mais rigorosos dos Estados Unidos, com temperaturas como - 24 graus Celsius, cai em Paris sedenta por sol nas vésperas do 4 de julho, ponto alto do verão no hemisfério norte. Naquele dia e nos seguintes, não fez sol. Chovia e o céu era nublado, uma decepção para esta soteropaulistana criada sob o sol.

Ao contrário dos vampiros, eu era sedenta por sol. E matei a minha sede em uma semana de Berlin, onde me estirava no Tiergarten para sentir as maravilhas daquela luz natural na minha vida. Fiz, claro, todos os programas que se deve fazer em Berlin: enchi a cara de cerveja com os alemães (não tente fazer isso em casa, eles têm uma resistência maior à cerveja e vão bebendo. a gente nem percebe que está bêbada de tanto rir), fiquei no melhor albergue da minha vida de mochileira, o Circus, fui para o campo de concentração, fui no BierGarten e desde então eu sonho em abrir o meu próprio em São Paulo, caminhei pela East Gallery, conheci o que um dia foi a Bahaus...

De todas as minhas memórias de viagem- e não foram poucas, 16 países, um montão de cidades- acho que Berlin é a lembrança mais alegre de todas. Voltei tão mais feliz de lá que até hoje minha melhor amiga e sócia Renate Krieger lembra de mim quando vai para lá. Mesmo sendo teuto-brasileira, a minha repórter favorita da Deutche Welle conheceu Berlin depois de mim. E, como eu, ela sempre se alegra quando anda pelas largas ruas daquela cidade, que, pelo menos para nós, tem um pouco do calor do nosso país.

Hoje guardo no coração o amanhecer em Berlin (sim, eu vi o dia começar na cidade, looonga história) e o entardecer da janela do albergue, enquanto esperava as minhas roomies se arrumarem para sairmos. Eu sou mais eu em São Paulo, mas, se por alguma razão muito forte tivesse que sair daqui, eu escolheria Berlin: talvez por não ter tido a oportunidade de ver Berlin sob a neve, acho que gostaria de ver suas transformações a cada estação do ano.

Gosto do fato que nas bancas de jornal de Berlin se venda a Cosmopolitan em russo. Gosto do fato de que em Berlin as pessoas são educadas, solicitas. E gosto sobretudo do fato de que Berlin é geminiana como eu (deve ser por isso que eu me senti tão à vontade lá)- a união e as diferenças delas me encantam como poucas cidades no mundo conseguem ser.



Ich bin ein Berliner!
Berlin Wall, summer of 2005.