O meu irmão caçula está participando do VII Festival de Música Educadora FM e como a música dele, Até Cuba, é muito boa eu votei e estou fazendo campanha para que todo mundo vote. Tá de bobeira? Escute aqui e vote em Ricardo Caian, autor de uma das 50 músicas concorrentes do festival.
Very Special Thanks!
Quarta-feira, 8 de Julho de 2009
Mon frère
Mensagem direta da cabeça insana de
Ivy Farias
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13:32
2
Mensagem da cabeça de alheios
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Delírios,
Mon Coeur A Fait
Segunda-feira, 6 de Julho de 2009
A Fazenda

(Atenção: este post não é sobre o reality show da Record. O mundo da política é muito mais bizarro que os delírios de Theo Becker.)
Cena 1. Int. Redação. Dia
É mais um dia normal na redação da Agência Brasil. IVY chega e pega sua pauta do dia: economia. Como precisa do telefone de uma fonte, liga para seu AMIGO ESPECIALISTA EM ECONOMIA em Brasília.
IVY (ao telefone)
Alô? Olá AMIGO ESPECIALISTA EM ECONOMIA, tudo bom? Você pode falar um minutinho?
Cena 2. Ext. Ministério da Fazenda em Brasília. Dia
AMIGO ESPECIALISTA EM ECONOMIA atende seu telefone celular para falar com a amiga IVY. Vestindo terno e gravata, ele está rodeado de repórteres.
AMIGO ESPECIALISTA EM ECONOMIA
Oi querida. Tô na Fazenda.
Cena 3. Int. Redação. Dia.
IVY fala ao telefone.
IVY Na fazenda? Fazendo o quê, ordenhando as vacas?
Cena 4. Ext. Ministério da Fazenda em Brasília. Dia
AMIGO ESPECIALISTA EM ECONOMIA fala ao telefone.
AMIGO ESPECIALISTA EM ECONOMIA Quase, vim tentar tirar leite de pedra, ou melhor, do ministro, sobre esta nova decisão sobre o derivativos.
Cena 5. Int. Redação. Dia
IVY continua falando ao telefone
IVY
Mas ele é o próprio derivativo da vaca, ops, do leite. O que mais você precisa tirar dele?
Cena 6. Int. Ministério da Fazenda em Brasília. Dia
AMIGO ESPECIALISTA EM ECONOMIA fala ao celular quando o ministro Guido MANTEGA chega e os repórteres se dirigem a ele como se ele fosse MEL, de tão doce e querido. Mas ele é MANTEGA.
AMIGO ESPECIALISTA EM ECONOMIA
Ai, Ivy, o ministro chegou. Já te ligo de volta.
Cena 7. Int. Redação. Dia.
IVY desliga o telefone e começa a pensar em um jeito de achar o telefone da tal fonte.
Mensagem direta da cabeça insana de
Ivy Farias
às
19:24
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Quarta-feira, 1 de Julho de 2009
Beginners
Cena 1. Int. Estacionamento. Dia
IVY chega mais bem humorada do que o costume. Vemos JUNIOR, homem de 30 e mais anos, careca, abraçado a um menino.
IVY (animada)
Bom dia meus queridos. Quem é este, o novo funcionário? (apontando para um menino de cerca de 8 anos)
JUNIOR (dono do estacionamento)
Não, este é o Pietro, meu filho.
IVY (num misto de Lobo Mau com tia chata cujo relógio biológico não desperta, grita e esperneia)
Nossa Pietro, mas que olhos lindos você tem. Você é muito lindo sabia? Dá um beijo na tia.
JUNIOR (tentando ser simpático)
Vai filho, da um beijinho na tia.
PIETRO balança a cabeça
IVY (apesar de não ganhar um beijo nem de menino de 8 anos não perde a pose)
Por que você não aproveita que sou eu que estou oferecendo um beijo? Daqui a alguns anos você vai querer e vai ser tããão difícil ganhar um beijo de uma mulher.
JUNIOR (surpreso e de acordo com a informação)
Filho, é verdade, dá um beijo na tia agora porque depois você vai levar tanto não...
IVY (ainda na pose)
Isso Pietro, depois você vai se arrepender heim? Você vai poder usar seu olhar 43, todo seu xaveco, mas não vai adiantar assim tão fácil como eu to oferecendo heim? Dá um beijo na tia!
PIETRO continua balançando a cabeça e se esconde na camisa do pai
JUNIOR (sem graça, provavelmente lembrando das suas últimas tentativas frustradas de ficar com uma mulher)
Filho, Deus não dá asas mesmo a cobras! Ah se ainda fosse assim comigo...
IVY pega o carro e vai embora, PIETRO se esconde mais e JUNIOR se lamenta sozinho.
Como este delírio foi absolutamente real, crio uma nova categoria de postagens: Roteiro da Vida Real
IVY chega mais bem humorada do que o costume. Vemos JUNIOR, homem de 30 e mais anos, careca, abraçado a um menino.
IVY (animada)
Bom dia meus queridos. Quem é este, o novo funcionário? (apontando para um menino de cerca de 8 anos)
JUNIOR (dono do estacionamento)
Não, este é o Pietro, meu filho.
IVY (num misto de Lobo Mau com tia chata cujo relógio biológico não desperta, grita e esperneia)
Nossa Pietro, mas que olhos lindos você tem. Você é muito lindo sabia? Dá um beijo na tia.
JUNIOR (tentando ser simpático)
Vai filho, da um beijinho na tia.
PIETRO balança a cabeça
IVY (apesar de não ganhar um beijo nem de menino de 8 anos não perde a pose)
Por que você não aproveita que sou eu que estou oferecendo um beijo? Daqui a alguns anos você vai querer e vai ser tããão difícil ganhar um beijo de uma mulher.
JUNIOR (surpreso e de acordo com a informação)
Filho, é verdade, dá um beijo na tia agora porque depois você vai levar tanto não...
IVY (ainda na pose)
Isso Pietro, depois você vai se arrepender heim? Você vai poder usar seu olhar 43, todo seu xaveco, mas não vai adiantar assim tão fácil como eu to oferecendo heim? Dá um beijo na tia!
PIETRO continua balançando a cabeça e se esconde na camisa do pai
JUNIOR (sem graça, provavelmente lembrando das suas últimas tentativas frustradas de ficar com uma mulher)
Filho, Deus não dá asas mesmo a cobras! Ah se ainda fosse assim comigo...
IVY pega o carro e vai embora, PIETRO se esconde mais e JUNIOR se lamenta sozinho.
Como este delírio foi absolutamente real, crio uma nova categoria de postagens: Roteiro da Vida Real
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Ivy Farias
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19:38
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Quinta-feira, 25 de Junho de 2009
O Vlado*
“Ele adorava um bolo de café com cobertura de chocolate que vendia na lanchonete, o balconista sempre ligava para ele avisando que o bolo estava pronto. Mas ele gostava de tomar café no entardecer, ele se preocupava em comer com a luz bonita. Acho que ele nunca teve a consciência que era um poeta da imagem com uma base de repórter“.
Estas são algumas das lembranças que a jornalista Rose Nogueira guarda de Vladimir Herzog. Os dois trabalhavam juntos da TV Cultura, em São Paulo, quando Vlado, como era chamado pelos amigos, foi ao prédio do Destacamento de Operações de Informações- Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI) prestar depoimento no dia 25 de outubro de 1975 e foi assassinado após ser torturado. Porém, a causa mortis alegada pelo DOI-CODI foi suicídio e, a partir dali, sua morte passou a ser mais conhecida que sua vida: o episódio foi um marco na ditadura militar por tamanha farsa e pela série de protestos que se seguiram. Três anos depois, a morte do jornalista foi também o primeiro caso em que a justiça condenou a União pela responsabilidade de seu falecimento e a indenizar a família.
“Para o Vlado, as coisas não eram um evento, eram parte de um processo e engraçado como ele foi o maior evento daqueles tempos e como se tornou parte de um processo”, lembra Rose, que se considera uma privilegiada por ter convivido com Vlado e com ele ter aprendido. “Considero ele meu amigo e professor, ia trabalhar com muita alegria, porque ele nos incentivava a fazer o melhor. Ele me ensinou muito sobre jornalismo: até hoje não uso a palavra auge porque ele falava que auge era orgasmo. Me ensinou muito sobre TV pública, coisas que até hoje uso. Vlado costumava dizer que a ditadura um dia acabaria, o povo não e por isso deveríamos fazer uma TV de qualidade. Ele apostava na gente, com uma doçura e a paciência muito grande e também com muita firmeza“, recorda a jornalista.
Para os que não foram privilegiados com o convívio profissional ou a amizade de Herzog, sua família e seus amigos criaram o Instituto Vladimir Herzog, que será lançado hoje (25) em São Paulo. Outro privilegiado, o cineasta e amigo João Batista de Andrade, diretor do documentário Vlado- 30 anos depois, contou à Agência Brasil que a iniciativa é uma forma de atender a uma demanda que nunca acaba: “O povo me assediava demais e nem sempre podia atender a todos os pedidos de fotos, imagens, depoimentos“.
O instituto nasce com a missão de organizar todo o material sobre o jornalista como textos, fotos, documentos e também dar continidade aos seus ideais, como afirma seu filho Ivo Herzog. “Queremos colaborar com a reflexão e o produção de informação voltado ao direito à justiça e ao direito à vida“, explicou. A ideia de preservar a memória de Vlado surgiu há mais de um ano e levou cerca de seis meses para ficar pronto.
Localizado inicialmente na rua Bela Cintra, o instituto também surge à procura de apoio institucional, “empresas que possam colaborar com sua manutenção”- disse Ivo- para que todos possam ser ao menos um pouco privilegiados com o legado de Vlado.
*Título que gostaria de ter dado na reportagem publicada na Agência Brasil.
Estas são algumas das lembranças que a jornalista Rose Nogueira guarda de Vladimir Herzog. Os dois trabalhavam juntos da TV Cultura, em São Paulo, quando Vlado, como era chamado pelos amigos, foi ao prédio do Destacamento de Operações de Informações- Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI) prestar depoimento no dia 25 de outubro de 1975 e foi assassinado após ser torturado. Porém, a causa mortis alegada pelo DOI-CODI foi suicídio e, a partir dali, sua morte passou a ser mais conhecida que sua vida: o episódio foi um marco na ditadura militar por tamanha farsa e pela série de protestos que se seguiram. Três anos depois, a morte do jornalista foi também o primeiro caso em que a justiça condenou a União pela responsabilidade de seu falecimento e a indenizar a família.
“Para o Vlado, as coisas não eram um evento, eram parte de um processo e engraçado como ele foi o maior evento daqueles tempos e como se tornou parte de um processo”, lembra Rose, que se considera uma privilegiada por ter convivido com Vlado e com ele ter aprendido. “Considero ele meu amigo e professor, ia trabalhar com muita alegria, porque ele nos incentivava a fazer o melhor. Ele me ensinou muito sobre jornalismo: até hoje não uso a palavra auge porque ele falava que auge era orgasmo. Me ensinou muito sobre TV pública, coisas que até hoje uso. Vlado costumava dizer que a ditadura um dia acabaria, o povo não e por isso deveríamos fazer uma TV de qualidade. Ele apostava na gente, com uma doçura e a paciência muito grande e também com muita firmeza“, recorda a jornalista.
Para os que não foram privilegiados com o convívio profissional ou a amizade de Herzog, sua família e seus amigos criaram o Instituto Vladimir Herzog, que será lançado hoje (25) em São Paulo. Outro privilegiado, o cineasta e amigo João Batista de Andrade, diretor do documentário Vlado- 30 anos depois, contou à Agência Brasil que a iniciativa é uma forma de atender a uma demanda que nunca acaba: “O povo me assediava demais e nem sempre podia atender a todos os pedidos de fotos, imagens, depoimentos“.
O instituto nasce com a missão de organizar todo o material sobre o jornalista como textos, fotos, documentos e também dar continidade aos seus ideais, como afirma seu filho Ivo Herzog. “Queremos colaborar com a reflexão e o produção de informação voltado ao direito à justiça e ao direito à vida“, explicou. A ideia de preservar a memória de Vlado surgiu há mais de um ano e levou cerca de seis meses para ficar pronto.
Localizado inicialmente na rua Bela Cintra, o instituto também surge à procura de apoio institucional, “empresas que possam colaborar com sua manutenção”- disse Ivo- para que todos possam ser ao menos um pouco privilegiados com o legado de Vlado.
*Título que gostaria de ter dado na reportagem publicada na Agência Brasil.
Mensagem direta da cabeça insana de
Ivy Farias
às
15:24
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Aos trópicos
Cena 1. Int. Empresa nova. Dia.
Como jornalista é a maneira mais glamourosa de ser pobre mas não isenta a pobreza, Ivy procura um novo bico. De terninho risca de giz, de posse de todos seus textos, currículos, diplomas e títulos ela vai até a nova empresa, que está contratando um freelancer.
MOÇA
Bom dia. Você que é a Ivy?
IVY
Sou eu sim, você é a Marcia, certo?
MARCIA
Sim, sou eu mesma. Me acompanhe por favor (andando pelo corredor até a sua sala). O Bruno me disse que você trabalha com política mas faz de tudo um pouco, é verdade?
IVY
Sim, Marcia, já fiz e ainda faço um pouco de tudo. Trouxe aqui meus textos da Placar, do Jornal da Tarde, da Superinteressante, da Capricho, da Nova, da Tpm...
MARCIA (interrompendo Ivy)
Da Nova? Que interessante, o Bruno não mencionou que você escrevia para lá. Você escrevia sobre o quê?
IVY
Fiz algumas matérias sobre sexo, beleza, comportamento, turismo, mas isso foi há muito tempo, eu ainda estava na faculdade.
MARCIA
Ivy, sente-se por favor. O Bruno lhe falou do que era o frila?
IVY
Não.
MARCIA
Que ótimo. Bem, nós somos uma agência de comunicação e prestamos serviços de publicidade e imprensa para alguns clientes. Estamos agora oferecendo conteúdo jornalístico e por isso estamos contratando uma pessoa para trabalhar de casa, que acaba sendo, vamos assim dizer, a opção mais confortável para este trabalho.
IVY (sem entender nada)
Que tipo de clientes?
MARCIA
Então Ivy, esta é a melhor parte: nós prestamos serviços de comunicação para toda indústria erótica brasileira. Produtoras de filmes pornô, sex shops, agências de garotas de programas, enfim, somos especializados em erotismo e pornografia.
IVY (tentando fingir naturalidade pensa: "Sei, putaria". Mas não diz nada)
Sei.
MARCIA
Enfim, um de nossos clientes agencia garotas de programas e vai começar a executar o serviço online.
IVY (pensando como seria um inferninho online: os homens pagam para fazer sexo virtual com as garotas?)
MARCIA
A idéia é revolucionária: será como um e-commerce convencional, só que com garotas. Ele colocará as fotos das moças, o cliente escolhe sua preferida e em até uma hora ela estará na sua porta.
IVY (pensando: que ótimo, sex delivery!)
Sei.
MARCIA
Mas como o comércio da prostituição é crime, temos que dar um jeito de viabilizar a idéia de forma que não fique tão na cara que é o que realmente é.
IVY (pensando: que ótimo, agora tenho cara de laranja. E pensar que eu reclamava da bunda com celulite...)
Como assim?
MARCIA
Nós vamos disponibilizar conteúdo no site. "Conteúdo", entendeu? (fazendo o sinal de aspas)
IVY (pensando: claro, conteúdo. O que não falta para estas mulheres é conteúdo).
Que tipo de conteúdo?
MARCIA (animada pela conversa ter chego até ali)
Contos eróticos. E como o dono da agência é um tanto quanto sofisticado, ele não queria contos de pura baixaria, por isso estamos procurando alguém com o seu perfil.
IVY (pensando que tipo de perfil ela tem para escrever contos eróticos. O que se coloca no currículo quando se candidata para uma vaga destas? Já dei para tantos, sou adepta de sadomasoquismo?! A Carrie Bradshaw quando está fudida faz frila pra Vogue e ela tem que escrever contos eróticos, bem à moda dos trópicos).
Meu perfil? Que tipo de contos eróticos?
MARCIA (surpresa)
Sim, alguém que estudou, formada, com cultura, cursos. Vi no seu curriculum que você estudou na New York University, escreve contos, crônicas. Mas Por que você pergunta que tipo de contos?
IVY (agindo profissionalmente pensa que pelo menos ela leu o currículo. Pelo menos)
Por que se for conto erótico para homem hetero nem precisa me pagar para isso, vocês mesmo fazem. Basta escrever que duas lésbicas gostosas e sexies estavam se amando quando se deram conta quão ruim é a vida do velcro velcro após conhecer O cara, dono do pinto mais perfeito da face da terra, que as resgatou do sem graça mundo do bate coxa e as elevou a incrível categoria do sexo a três, porque eu me recuso a dizer ménage, e desde então elas descobriram as maravilhas proporcionadas por um pau magnanimo e fim da história.
MARCIA (surpresa)
Nossa, como você é prática!
IVY (continuando o tom profissional como quem fala da taxa Selic)
Estou errada? Homem hetero gosta disso, de mulher e nada mais. Para os homens as coisas são muito mais simples.
MARCIA (olhando surpresa, não interrompe)
IVY (em tom prático-profissional)
Como diria a Rita Lee e o Raul Seixas, agora é moda duas mulheres botarem as aranhas para brigar. Desde, claro, que tenha uma cobra para comer as duas. E homem que é homem gosta disso: de mulher e por isso quanto mais, melhor, desde que claro seja assegurado o papel do macho poderoso e soberano dos lençóis. Uma vez ouvi que existem três tamanhos de pinto.
MARCIA (interrompendo começa a rir)
P, M e G?
IVY (ainda no clima entrevista de emprego)
Não, o grande, o enorme e o magnífico.
MARCIA (começa a rir porque finalmente alguém leva a entrevista de emprego a sério. Engraçado que é uma menina completamente maluca que entende que se trata de um assunto profissional)
Então você aceita o trabalho?
IVY (sem entender)
Depende. Os contos serão só para homens heteros?
MARCIA (também sem entender)
Por que você pergunta?
IVY (dentro do clima entrevista de emprego)
Porque, como disse, se for para homem hetero é realmente muito simples. Se for pra gay mais ainda, porque é só colocar as duas cobras pra brigar e pronto. Mas se for escrever para mulher, nossa, fica difícil demais: tem que descrever o cenário, criar perfil psicológico dos personagens, retratar desde como foi a primeira troca de olhares, o primeiro encontro, inventar jantares, flores, situações totalmente ficcionais, juras eternas de amor para só ai entrar na foda final. Dá muito trabalho, to fora.
MARCIA (feliz porque alguém chegou no final da entrevista de emprego diz sorrindo)
Não, é só para homem hetero mesmo. A proposta das duas mulheres é ótima. Então quer dizer que você aceita?
IVY (profissionalmente)
Depende, você não me disse quanto vai me pagar por isso.
MARCIA (fazendo cara de que claro, nem tudo é perfeito, lembra que o site tem que estar no ar em duas semanas e o cafetão, ops, cliente, exige bons contos eróticos e é o maior cliente de sua agência lembra que seu chefe sinalizou que poderia aumentar o valor do cachê caso a situação ficasse realmente difícil)
Bem, estamos pagando 5 reais...
IVY ( interrompe profissionalmente)
Sinto muito, mas é muito pouco.
MARCIA (continuando)
POR PALAVRA (enfática). E você pode escrever o quanto quiser, é tema livre, desde que não contenham erros de português e o conto tenha o mínimo de estrutura narrativa.
IVY (pensando que já que está nos trópicos é melhor vender a alma para um cafetão endinheirado do que o corpo. E a oferta é melhor do que aquele frila oferecido pelo senador em Brasília. Em termos de dinheiro e de ética)
Começo quando?
Close na expressão final de iVY. Sobre BG. Fade out.
Esta é uma obra de ficção, principalmente a parte dos 5 reais a palavra. Tirando IVY, os demais personagens como também situações não existem. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.
Como jornalista é a maneira mais glamourosa de ser pobre mas não isenta a pobreza, Ivy procura um novo bico. De terninho risca de giz, de posse de todos seus textos, currículos, diplomas e títulos ela vai até a nova empresa, que está contratando um freelancer.
MOÇA
Bom dia. Você que é a Ivy?
IVY
Sou eu sim, você é a Marcia, certo?
MARCIA
Sim, sou eu mesma. Me acompanhe por favor (andando pelo corredor até a sua sala). O Bruno me disse que você trabalha com política mas faz de tudo um pouco, é verdade?
IVY
Sim, Marcia, já fiz e ainda faço um pouco de tudo. Trouxe aqui meus textos da Placar, do Jornal da Tarde, da Superinteressante, da Capricho, da Nova, da Tpm...
MARCIA (interrompendo Ivy)
Da Nova? Que interessante, o Bruno não mencionou que você escrevia para lá. Você escrevia sobre o quê?
IVY
Fiz algumas matérias sobre sexo, beleza, comportamento, turismo, mas isso foi há muito tempo, eu ainda estava na faculdade.
MARCIA
Ivy, sente-se por favor. O Bruno lhe falou do que era o frila?
IVY
Não.
MARCIA
Que ótimo. Bem, nós somos uma agência de comunicação e prestamos serviços de publicidade e imprensa para alguns clientes. Estamos agora oferecendo conteúdo jornalístico e por isso estamos contratando uma pessoa para trabalhar de casa, que acaba sendo, vamos assim dizer, a opção mais confortável para este trabalho.
IVY (sem entender nada)
Que tipo de clientes?
MARCIA
Então Ivy, esta é a melhor parte: nós prestamos serviços de comunicação para toda indústria erótica brasileira. Produtoras de filmes pornô, sex shops, agências de garotas de programas, enfim, somos especializados em erotismo e pornografia.
IVY (tentando fingir naturalidade pensa: "Sei, putaria". Mas não diz nada)
Sei.
MARCIA
Enfim, um de nossos clientes agencia garotas de programas e vai começar a executar o serviço online.
IVY (pensando como seria um inferninho online: os homens pagam para fazer sexo virtual com as garotas?)
MARCIA
A idéia é revolucionária: será como um e-commerce convencional, só que com garotas. Ele colocará as fotos das moças, o cliente escolhe sua preferida e em até uma hora ela estará na sua porta.
IVY (pensando: que ótimo, sex delivery!)
Sei.
MARCIA
Mas como o comércio da prostituição é crime, temos que dar um jeito de viabilizar a idéia de forma que não fique tão na cara que é o que realmente é.
IVY (pensando: que ótimo, agora tenho cara de laranja. E pensar que eu reclamava da bunda com celulite...)
Como assim?
MARCIA
Nós vamos disponibilizar conteúdo no site. "Conteúdo", entendeu? (fazendo o sinal de aspas)
IVY (pensando: claro, conteúdo. O que não falta para estas mulheres é conteúdo).
Que tipo de conteúdo?
MARCIA (animada pela conversa ter chego até ali)
Contos eróticos. E como o dono da agência é um tanto quanto sofisticado, ele não queria contos de pura baixaria, por isso estamos procurando alguém com o seu perfil.
IVY (pensando que tipo de perfil ela tem para escrever contos eróticos. O que se coloca no currículo quando se candidata para uma vaga destas? Já dei para tantos, sou adepta de sadomasoquismo?! A Carrie Bradshaw quando está fudida faz frila pra Vogue e ela tem que escrever contos eróticos, bem à moda dos trópicos).
Meu perfil? Que tipo de contos eróticos?
MARCIA (surpresa)
Sim, alguém que estudou, formada, com cultura, cursos. Vi no seu curriculum que você estudou na New York University, escreve contos, crônicas. Mas Por que você pergunta que tipo de contos?
IVY (agindo profissionalmente pensa que pelo menos ela leu o currículo. Pelo menos)
Por que se for conto erótico para homem hetero nem precisa me pagar para isso, vocês mesmo fazem. Basta escrever que duas lésbicas gostosas e sexies estavam se amando quando se deram conta quão ruim é a vida do velcro velcro após conhecer O cara, dono do pinto mais perfeito da face da terra, que as resgatou do sem graça mundo do bate coxa e as elevou a incrível categoria do sexo a três, porque eu me recuso a dizer ménage, e desde então elas descobriram as maravilhas proporcionadas por um pau magnanimo e fim da história.
MARCIA (surpresa)
Nossa, como você é prática!
IVY (continuando o tom profissional como quem fala da taxa Selic)
Estou errada? Homem hetero gosta disso, de mulher e nada mais. Para os homens as coisas são muito mais simples.
MARCIA (olhando surpresa, não interrompe)
IVY (em tom prático-profissional)
Como diria a Rita Lee e o Raul Seixas, agora é moda duas mulheres botarem as aranhas para brigar. Desde, claro, que tenha uma cobra para comer as duas. E homem que é homem gosta disso: de mulher e por isso quanto mais, melhor, desde que claro seja assegurado o papel do macho poderoso e soberano dos lençóis. Uma vez ouvi que existem três tamanhos de pinto.
MARCIA (interrompendo começa a rir)
P, M e G?
IVY (ainda no clima entrevista de emprego)
Não, o grande, o enorme e o magnífico.
MARCIA (começa a rir porque finalmente alguém leva a entrevista de emprego a sério. Engraçado que é uma menina completamente maluca que entende que se trata de um assunto profissional)
Então você aceita o trabalho?
IVY (sem entender)
Depende. Os contos serão só para homens heteros?
MARCIA (também sem entender)
Por que você pergunta?
IVY (dentro do clima entrevista de emprego)
Porque, como disse, se for para homem hetero é realmente muito simples. Se for pra gay mais ainda, porque é só colocar as duas cobras pra brigar e pronto. Mas se for escrever para mulher, nossa, fica difícil demais: tem que descrever o cenário, criar perfil psicológico dos personagens, retratar desde como foi a primeira troca de olhares, o primeiro encontro, inventar jantares, flores, situações totalmente ficcionais, juras eternas de amor para só ai entrar na foda final. Dá muito trabalho, to fora.
MARCIA (feliz porque alguém chegou no final da entrevista de emprego diz sorrindo)
Não, é só para homem hetero mesmo. A proposta das duas mulheres é ótima. Então quer dizer que você aceita?
IVY (profissionalmente)
Depende, você não me disse quanto vai me pagar por isso.
MARCIA (fazendo cara de que claro, nem tudo é perfeito, lembra que o site tem que estar no ar em duas semanas e o cafetão, ops, cliente, exige bons contos eróticos e é o maior cliente de sua agência lembra que seu chefe sinalizou que poderia aumentar o valor do cachê caso a situação ficasse realmente difícil)
Bem, estamos pagando 5 reais...
IVY ( interrompe profissionalmente)
Sinto muito, mas é muito pouco.
MARCIA (continuando)
POR PALAVRA (enfática). E você pode escrever o quanto quiser, é tema livre, desde que não contenham erros de português e o conto tenha o mínimo de estrutura narrativa.
IVY (pensando que já que está nos trópicos é melhor vender a alma para um cafetão endinheirado do que o corpo. E a oferta é melhor do que aquele frila oferecido pelo senador em Brasília. Em termos de dinheiro e de ética)
Começo quando?
Close na expressão final de iVY. Sobre BG. Fade out.
Esta é uma obra de ficção, principalmente a parte dos 5 reais a palavra. Tirando IVY, os demais personagens como também situações não existem. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.
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Quarta-feira, 24 de Junho de 2009
O ofício

A primeira vez que me senti no ofício de ser jornalista de verdade foi no dia 15 de agosto de 2007. Quando cheguei naquela manhã ensolarado na redação, meu chefe me perguntou se eu conhecia o Joel Silveira. “Aquele do casamento da Paulista?", perguntei. Era ele mesmo, um dos maiores jornalistas deste país. Era porque ele tinha morrido naquela manhã. Meu chefe então, me incumbiu da missão de “enterrar“ o homem com o reconhecimento que ele merecia.
Conversei com grandes jornalistas, entre eles o José Hamilton Ribeiro, que me fez ganhar o dia. Além de ver o quão longe eu estava perante tantos grandes profissionais, com tantas grandes histórias, eu me senti cumprindo o meu ofício de noticiar, de continuar, meio que de meu jeito louco, um pouco da história de quem tanto noticiou e que, acredito eu, queria ver bem noticiado.
Escrever sobre jornalistas é algo particularmente mais difícil. Você tem a responsabilidade de honrar a tua raça, de se esmerar para estar minimamente à altura daqueles que são inatingíveis em seu ofício. Lembro desta história porque hoje fui incumbida novamente por minha chefe a escrever sobre Vladimir Herzog. “Capriche, porque ele merece". Fica aquela coisa, de homenagear e noticiar da melhor maneira possível, acho que um médico deve sentir do mesmo jeito quando tem que atender outro médico. Acaba sendo um pouco de frio na barriga, um certo de medo de errar com aquele que não pode ser errado. Ou um misto de admiração, homenagem. Mas, acima de tudo, respeito, muito respeito.
Por hora, a matéria publicada em 2007 no Jornal da Tarde:
Morreu uma parte do jornalismo
Joel Silveira, um dos maiores nomes do jornalismo nacional, ex- correspondente dos Diários Associados na Segunda Guerra Mundial, morre aos 88 anos
Ivy Farias, ivy.farias@grupoestado.com.br
'Por favor, capriche.' Foi este o pedido de Maurício Azedo, presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), para este texto sobre o falecimento de Joel Silveira. Considerado um dos maiores repórteres brasileiros, o jornalista morreu enquanto dormia, na manhã de ontem. Caprichar não é tarefa difícil quando é preciso falar sobre os 88 anos de uma vida cheia de feitos como foi a de Joel.
Do casamento da filha do conde Matarazzo até a Segunda Guerra Mundial, o jornalista escreveu textos clássicos do jornalismo brasileiro, como Eram assim os grã-finos em São Paulo, A Milésima Segunda Noite da Avenida Paulista e sua narrativa do encontro com o ex-presidente Getúlio Vargas.
Joel Silveira era um homem simples. Morava com sua esposa Iracema num apartamento em Copacabana, Rio de Janeiro, e rejeitava qualquer grande título. Por sua própria exigência, morreu em casa. Pediu também que não houvesse velório. A filha Elisabeth Silveira decidiu apenas colocar uma música de Beethoven pouco antes da cremação, marcada para hoje no Crematório da Santa Casa, no bairro do Caju, às 15h. 'Ele já deve ter encontrado os amigos Vinicius de Moraes e Rubem Braga no céu', acredita Elisabeth, que nos últimos tempos leu para o pai, que ficara cego. 'Ele perdeu seu maior prazer na vida, que era a leitura. Joel era um bom repórter por ser dotado de grandes sentimentos e ter o domínio da língua portuguesa', diz Maurício Azedo.
Sergipano, Joel adotou o Rio de Janeiro como sua cidade na década de 1930 e começou sua carreira na revista Dom Casmurro, do jornalista Bricio Filho. Ao lado de Samuel Wainer e Rubem Braga, cobriu a Segunda Guerra Mundial para os Diários Associados. 'Dos três, ele era o mais repórter', afirma o jornalista José Hamilton Ribeiro. Sua atuação junto às Forças Expedicionárias Brasileiras (FEB), na Itália, é referência até hoje. 'Joel Silveira foi o maior repórter brasileiro dos últimos 50 anos. Ele deixou um grande exemplo para várias gerações de profissionais com esta cobertura', afirma Cícero Sandroni, jornalista e secretário-geral da Academia Brasileira de Letras (ABL). Antes de partir para a Europa, o repórter ouviu de Assis Chateaubriand, dono dos Diários Associados, a célebre recomendação: 'Não morra, porque repórter não é para morrer, é para trazer notícias'.
Foi o próprio Chatô que o apelidou de Víbora, por seu humor inteligente e ácido. 'Mas ele não era um velho ranzinza, só tinha algumas implicâncias', diz Geneton Moraes Neto, jornalista e diretor do programa Fantástico. Amigos há mais de 20 anos, Joel costumava contar para Geneton que não entendia por que os alpinistas escalavam montanhas sendo que poderiam viajar de avião. 'Ele também dizia que se fosse imperador de Sergipe por um dia proibiria a entrada de João Gilberto e pagaria uma pensão para que o cantor tocasse sozinho numa ilha em que ninguém pudesse ouvi-lo', recorda Geneton.
Ganhador dos prêmios Jabuti, Esso e Machado de Assis, estes dois últimos por sua contribuição como grande repórter e literato, Joel escreveu também mais de 22 livros, entre eles Na Fogueira: Memórias(Ed. Mauad) e Guerrilha Noturna (Ed. Record) e incontáveis histórias para revistas como Manchete e O Cruzeiro. 'Com Joel morre um pedaço da reportagem brasileira. Ele foi mais do que um jornalista, foi repórter. Ele escreveu coisas que só poderiam ser feitas por um brasileiro, com picardia e humor que só ele tinha', fala o escritor Ruy Castro.
Às vésperas de sua morte, Joel comentou com o amigo Geneton que achava a vida injusta, pois criaturas como ele viviam tanto enquanto as borboletas morriam cedo. Pensou também em ter como epitáfio em sua lápide: 'Aqui jaz um desafortunado que, em vida, não conseguiu ler Guerra e Paz no original'. Como um bom repórter que se preze, até nisso Joel Silveira caprichou.
'Joel era só repórter, o verdadeiro repórter. Não há nada no jornalismo melhor que a verdadeira reportagem”
JOSÉ HAMILTON RIBEIRO
JORNALISTA
'Com Joel morre um grande pedaço da reportagem. Ele foi mais do que um jornalista, foi um repórter, grande repórter”
RUY CASTRO
ESCRITOR
'Joel teve uma trajetória longa, fecunda, brilhante. Foi uma das estrelas do jornalismo e figura humana extraordinária”
MAURÍCIO AZEDO
JORNALISTA
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Ivy Farias
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23:23
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Você tem fome de quê?
"Quando eu to com fome, eu como até as palavras".
Marli Moreira, repórter da Agência Brasil, não cobrou cachê por este delírio.
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Ivy Farias
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